QUEM TEM RAZÃO?? AS MÃES OU AS FILHAS??
Uma é mãe, a outra é filha.
Uma, a extensão da outra, difícil destino que se entrelaça, revolta-se, recusa-se, esperneia, reflete-se, trapaceia.
Uma é a outra amanhã, outra foi aquela ontem.
Uma, menina; outra, mulher.
Brincando de casinha, de boneca, procurando estrela do mar, fazendo castelo, aprendendo a nadar.
- Não quero comer, não quero. - Come os legumes, eu espero. Olha só o aviãozinho, anda, come, senão o aviãozinho some!
Crescem, saem, riem, se completam.
Não querem saber de ninguém. Ficam as duas muito bem.
A mãe veste a blusa da filha, a filha a saia da mãe, mãe e filha refletidas numa inversão divertida.
Mas a filha vai crescendo e a mãe nem vai percebendo.
A mãe corta o cordão umbilical da filha quando esta nasce.
A filha, quando adulta, corta os laços.
A mãe, para existir, se dá à filha.
A filha, pra poder viver a rejeita.
Em que momento da vida deixaram de ser cúmplices? Quando é que pararam de se divertir? Contar histórias? Trocar de roupa,Rir?
Desde quando que a mãe chora? Quando é que a filha foi embora?
Uma já viveu ao seu modo o que a outra vive agora.
A filha é a criança da mãe; a mãe, o super-ego da filha.
A filha se enche de impaciência diante da mãe; a mãe, de amor pela filha.
Ambos os sentimentos se extrapolam em ninharias ridículas.
Uma fez isso, outra aquilo.
Uma agiu assim, outra assado.
Quem terá razão?
As mães ou as filhas?
A filha não agüenta mais nada. A mãe sempre agüenta mais uma.
A filha nada contra a mesma maré que um dia embrulhou a mãe.
A mãe estende-lhe a mão, delicada. A filha recusa, indignada.
- Me deixa nadar sozinha...Sempre a mesma ladainha.
Quantas ondas grandes a mãe teve que furar? Quantas arrebentações driblar? Onde estará ela, a filha?
Ali, boiando, e a mãe a se preocupar que se afogue, nas ondas verdes da vida.
- Me empresta o carro, mãe, pra eu ir à festa?
- Por que não põe uma roupa mais transada, filha, e cê vai sair sem batom?
- Ai, meu saco, dá pra me emprestar o carro?
- Queria saber da peça que você viu.
- Mãe, foi tudo uma chatura. Anda mãe, cadê a chave que eu tô cansada e ainda por cima com fome...
- Então dorme aqui, vê se come...
- Esquece. Não quero ficar.
- Pena, tinha tanta coisa pra contar...
- Ora, mãe, para de fazer drama, você quer me controlar?
A mãe dá a chave e pede que a filha tenha cuidado com a violência.
Em cima da mesa um bilhete:- Mãe, desculpe o mau humor, mas é que ando uma pilha...
Afinal, quem tem razão, as mães ou as filhas?
Pense, e seja feliz!
TE AMO FILHA!!!
Beijo da mamãe Flunática e tb MARInática


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